13 de janeiro de 2017

Gestão lógica da sustentabilidade


Gestão lógica da sustentabilidade
Geocentelha 401 Gestão


Sustentabilidade é palavra muito utilizada em contextos genéricos. A geologia permite agrupar os fatores da sustentabilidade pelo que eles representam hoje e pelo que podem oferecer no futuro: Geodinâmica interna, atmosfera, biosfera, arcabouço mineral, recursos hídricos, que em conjunto exercem atributos de suporte físico dos assentamentos e atividades humanos. Com o advento do Homem, a lista passou a incluir a noosfera, texto que devemos a Teilhard de Chardin e que podemos chamar esfera da consciência. Lembro que o calor do sol, sua gravidade e a da lua, são fatores da sustentabilidade extraplanetários. Considerando sustentabilidade natural a não tocada pelo Homem e derivada a que ele modificou plantando, edificando, reabilitando o ambiente degradado, podemos dizer que a situação planetária é hoje uma mescla entre os dois estados.
Para a gestão da sustentabilidade devemos assimilar a terra a um vaso fechado onde se concentra toda a sustentabilidade material nos agrupamentos acima. Se o vaso é fechado, a sustentabilidade contida dele não sai, mas pode perder-se como a batata que apodrece. Podemos, recorrendo à lógica, imaginar hipóteses de manipulação da sustentabilidade como segue:. Todo alimento que deixamos de extrair de dado ponto da terra, teremos de extrair de outro. Se não comemos baleias, pacas, capivaras, tatus, para manter o consumo de proteína animal comeremos mais bois, porcos, galinhas, cuja criação pode consumir mais recursos da flora. Baleia, tatu e capivara terão mais direito que porcos e bois só porque não foram domesticados? Há cerca de quinhentos anos o Japão tinha território mais degradado que hoje. Os japoneses resolveram reduzir a criação de gado, importar madeira e adotar pesca marinha. Hoje têm cobertura arbórea em 70% do território. Se optamos por não ocupar um seguro topo de morro, obedecendo à lei, talvez tenhamos de recorrer a uma encosta instável como é comum na serra do Mar. Se todo o movimento ambiental mundial passar a usar o conceito de vaso fechado, suas conclusões sobre o que é melhor para o futuro da terra serão diferentes.   

Belo Horizonte, 17/01/2016

Edézio Teixeira de Carvalho

Engenheiro Geólogo

12 de janeiro de 2017

Matriz e filiais

Matriz e filiais[1]
GC400 Matriz e filiais

   Ando incomodado com o retorno à cena do aedes aegypt, tema para o campo que na geologia é chamado geologia médica, onde podem ser encontrados episódios intrigantes da história humana. O Brasil manteve luta importante contra a febre amarela no início do século XX tendo por área prioritária o Rio de Janeiro. Dentre nomes famosos dessa luta destaca-se o sanitarista Oswaldo Cruz. Seguiu-se longo período de interiorização da luta em que imagem que dela se guarda no meio rural é dos mata-mosquitos que chegavam com indumentária e equipamentos logo reconhecidos e em geral bem recebidos (com exceções). A luta prosseguiu colhendo êxitos pelo caminho como a extinção da febre amarela no Brasil.
  Já pelos anos 80 surgiu forma nova de doença propagada pelo citado mosquito, conhecida por dengue. O meio urbano parece ser o ambiente mais atingido em monturos de lixo e em diversas outras formas dispersas de descartes como pneus, latas e ainda outras formas aparentemente não degradadas de acumulação de água, aí entrando vasos de flores e até concavidades de geladeiras retentoras de drenagem.
  Sem pretender meter-me em questão que ultrapassa minha experiência pessoal no campo próprio da geologia aplicada como auxiliar da engenharia sanitária, aponto contatos isolados e fragmentários com a questão do ponto de vista das influências atribuíveis à ambiência geológica. Lembro alguns desses contatos. Na infância rural vi equipes de dois ou três mata-mosquitos com pulverizadores e instruções para o controle de endemias. No colégio Dom Helvécio em Ponte Nova (1961), um professor, padre, contou o caso das lagoas Pontinas na Itália, que desafiava a poderosa Roma antiga com uma forma de malária. Fê-lo certamente como pano de fundo às preocupações com as endemias rurais. 
   A dengue veio nos anos 80, e notei entre o pessoal envolvido com os aspectos técnicos da questão certo pessimismo, mas parece que controlaram bem a situação. O retorno mais recente parece dar razão aos pessimistas de 80. Lembrei-me então de ler sobre as lagoas Pontinas. Contra o mosquito transmissor de forma de malária endêmica naquela região, teriam sido derrotados etruscos, romanos, italianos medievais, inclusive um certo Da Vinci, e o ditador Mussolini. Chamou-me a atenção a descoberta de que lá como cá lutava-se contra variedade do mosquito do Nilo. Essas formas urbanas, antrópicas, de proliferação devem ser vistas como ambientes secundários, ou filiais dos grandes ambientes naturais, de modo que, a meu ver, embora devam todos ser objetos de busca, limpeza, remoção e destruição quando for o caso, como está sendo feito, parece estar havendo descuido em relação aos brejos e alagados permanentes urbanos com grandes populações à sua volta, que eram evitados sistematicamente no meio rural na implantação de moradias, por exemplo. Não vi, por enquanto, uma única tomada externa de televisão num desses ambientes.

Belo Horizonte, 06 de janeiro de 2016


Edézio Teixeira de Carvalho
Eng.o Geólogo  






[1] ECO.21 – Ano XXVI – N.o 231 Fev 2016 

Geocentelha 399: Mineração

MINERAÇÃO E SEUS PRODUTOS INVISÍVEIS
GC 399 Mineração

   Leio em “Colapso” de Jared Diamond que Montana, belíssimo estado montanhoso dos Estados Unidos, caiu do 10º lugar em PIB per capita entre os estados federados para o 46º. Tornou-se o estado, portanto, dos mais ricos, para posicionar-se entre os mais pobres. Não se atribui a causa exclusivamente à opção por fechar grande parte dos empreendimentos minerais em virtude do altíssimo custo de reabilitação das áreas degradadas pela drenagem ácida e resíduos pesados (cobre, zinco, cádmio), mas também à degradação do solo pelas macieiras que teriam esgotado as reservas naturais de nitrogênio.
   Em Minas Gerais uma das primeiras manifestações contemporâneas  da atividade mineral foi condenada numa única frase atribuída ao político mineiro Artur Bernardes aí pelos anos 20 do século passado: “Minério não dá duas safras”. Daí ao “Minas fica com os buracos” é consequência lógica. Ninguém  poderá negar que justa razão está presente nessas manifestações. Por outro lado a realidade das duas safras ocorreu em Minas sem metáforas do ouro ao ferro em 200 anos de intervalo, entre picos havendo outras safras menos votadas, como a do Nióbio, contemporâneo, a das pedras ornamentais e tantas outras por serem simplesmente diferentes do ouro, do diamante, do ferro, e até dos materiais menos nobres como as areias, os cascalhos, as moinhas de rocha das pedreiras. Pois se nos ficaram buracos, interpretemo-los em suas possibilidades às vezes extraordinárias que não vemos, como nem o poeta maior viu por serem de início supostamente feias... Ainda explorando exposição alheia do citado Jared Diamond, diz ele que os filhos de Montana não ficam mais em Montana. Terá feito o estado a boa troca de uma população reclamando da poluição doméstica para ir viver a de outras atividades em terra alheia? Ou não sabemos mais ou nunca soubemos que o que não se produz aqui, ou terá de ter substitutos ou se produzirá acolá, pelo evidente princípio do vaso fechado?
   E então ocorre lembrar os garbosos cavalos ingleses que emprestaram sua força a comparar com a da locomotiva que os substitui nas ruas de Londres, num dia em que o primeiro desastre urbano debitado ao combustível geológico chamado carvão ou por eles coal tirou a vida a um distraído londrino debitando à mineração sua primeira fatalidade à vista de outros transeuntes que talvez não estivessem muito atentos aos males do grisu que a tantos matou antes que uma pilha de estéril em escorregamento matasse mais de 200, incluindo 64 pequeninos numa escola maternal da mineira aldeia de Aberfan em Gales. Ainda atualmente sabemos das inúmeras perdas humanas em minas de carvão chinesas, das menos frequentes na Europa Oriental e das já quase inexistentes na Ocidental. E a poética Praga, que já sofreu com abatimentos de minas a ela subjacentes? Sofre hoje mais com o furioso Vltava, de que foi tirado o leito maior no século passado na expansão da bela capital.
    Hoje o sofrimento bateu à porta de centenas de famílias em Bento Rodrigues; amanhã muitos mais sofrerão a forma amenizada inversamente proporcional à distância ao foco.
   A mineração é atividade que provoca acidentes diferentes dos associados a outras atividades, como a do simples escolher onde morar, comprar, vender e a das grandes construções viárias (rodo, ferro, hidro).
  No caso da mineração existe circunstância a mais a esconder seus benefícios e a explicitar suas desvantagens: deixa ela rastros indeléveis nas terras mineradas: buracos, montes, crateras, ravinas, barragens, às vezes perigosas, de rejeitos, nascentes e cursos d’água contaminados, lençóis freáticos contaminados também por substâncias nocivas como metais pesados, ácidos e outras.
 É verdade que barragens de rejeitos e sem componentes tóxicos podem constituir importantes aquíferos artificiais, mas isto é invisível ou pode ser, e é justo que se diga, insuficiente para compensar a redução do NA nas cavas muito grandes.
 Por outro lado o aspecto negativo evidente parece ser preservado com zelo pelos inimigos da atividade como a constituírem um libelo contra ela. Como setor econômico, não muito ou nada fez para melhorar a visibilidade dos seus benefícios para a sociedade e para amenizar os impactos negativos com uma atitude menos antipática perante essa sociedade que a rodeia sem saber que está por ali por causa dela.
 Não se vê, por exemplo, uma mineradora demonstrar simpatia pela população que a envolve patrocinando a atividade educativa nas aberturas do sistema geológico dadas como definitivas enquanto perdurar a atividade produtiva, nos domingos, por exemplo. Nem aquela casa que foi a CASA COR mostrando uma calçada de pedras São Tomé com magníficas dendrites nas placas de quartzito chama atenção da população porque não foram agrupadas as pedras com dendrites a chamar a atenção do leigo distraído. Com exceção do pessoal que opera as minas quase mais ninguém tem acesso a pontos do terreno dotados de vistas espetaculares, senão, quando muito por montanhistas e outros praticantes de esportes radicais, quando alguns desses locais, especialmente escolhidos poderiam ser dotados de acessos especiais como por teleféricos, elevadores (falo agora pensando num hipotético elevador ao pé da escarpa final da serra do Curral, por exemplo exibido atrás do hospital existente próximo à praça do Papa (uma versão mineira de outros recursos turísticos vistos em outros pontos do país). Um time de futebol, de vôlei, basquete ou trupe teatral, patrocinado pela mineração também não se vê, assim como um jardim botânico, zoológico, museu. De cada empreendimento mineiro não se vê, por exemplo, ou distraído sou eu, sua participação na reabilitação de áreas degradadas por processos naturais ou pela própria mineração anterior à atual que não tenha tido um PRAD bem concebido e executado na época certa.
   Finalmente a atividade atual verá chegada a hora de fechar as portas e isto é feito pela forma menos dispendiosa possível ou simplesmente não é feito.
  Exemplos de aproveitamento de áreas mineradas? O patrimônio cultural da humanidade em Las Medulas é grande exemplo. O complexo minerário da Serra do Curral, que poderia ser ou tornar-se, contém pelo menos 3 grandes cavas com água (1de formação ferrífera e 2 de dolomito), pilhas de estéril, pelo menos uma grande barragem de rejeito voltada para Nova Lima. Durante a vida útil da minas a céu aberto nunca vi aproximação maior com as cidade de Belo Horizonte e Nova Lima. Na aproximação que poderia ter sido feita seria de incluir a recepção sistemática de excursões estudantis, o acesso a cavas aos domingos e o acesso diário à crista da serra mediante teleféricos e/ou elevadores (estes auto-financiados para o turismo inclusive nos dias úteis).
  Não faz sentido no complexo urbano metropolitano superposto pelo complexo minerário da serra agir com cada mina ou cava individualmente. Um plano deve ser feito para o conjunto todo e isto não excluiria o exemplo de Las Médulas.

Se as cavas forem ficando livres em tempos diversos nada impediria que o plano contivesse etapas de implementação sucessivas.

Fig. 1: Las Médulas, León, Espanha: Área reabilitada que no passado sediou por mais de 2.000 anos mina de ouro do período romano. Atualmente Patrimônio Cultural da Humanidade, com rendimento anual provavelmente maior. Na foto de baixo turistas observam a paisagem.


Fig. 2: Cava de pedreira abandonada em Belo Horizonte em 2009, 2013 e 2015. Uma solução simples para o aproveitamento de área liberada pela atividade mineral removendo duas modalidades de risco existentes previamente ao enchimento com entulho inerte: a primeira modalidade era o evidente risco de quedas e de afogamentos, principalmente de menores, e a segunda a contaminação de nadadores. A esses benefícios soma-se, pelo princípio das soluções compartilhadas, a recepção, evidentemente necessária em Belo Horizonte, dos resíduos urbanos que vão ficando sem lugar e a preparação da área para integrar projeto urbanístico de habitação popular.


Fig. 3: Acima: Vista da escarpa das pedras rubras obtida por street view com uma alusão a um possível elevador panorâmidco a um dos pontos altos da serra do Curral onde se poderia implantar um mirante. Na imagem zenital acima o complexo minerário da serra do Curral entre Belo Horizonte e Nova Lima com pelo menos três grandes cavas, pilhas de estéril, barragem de rejeito e componentes minerários menores.



Fig. 4: No topo capela em mina de sal desativada na Polônia; raia olímpica de remo na USP-SP onde houve antigo porto de areia no rio Pinheiros; Supermercado em cava de pedreira em Santos – SP. 


Considerações finais

   Talvez exagerando em repetições, o Homem é o único componente da natureza capaz de corrigir seus desvios propositadamente, ou de provocar novos desvios. Muito antes de destruir belos acidentes da natureza, o Homem na prática da mineração, buscando transferir as substâncias úteis do lugar errado para o lugar certo, ainda que correndo o risco de mudar para piores os aspectos constitutivos e fenomenológicos da natureza, tem oferecido possibilidades notáveis de mudar para melhores muitos desses aspectos. Procurá-los é outra arte que a própria atividade mineral poderá não fazer sozinha. Então façâmo-las por ela, porque o simples remover da mineração não é solução para nada.

Fig. 5: Dendrites escondidas na dispersão de uma calçada são invisíveis. Agrupadas, lembrando chinesices, ornamentam a calçada, o muro, a fachada e ajudam a instruir geologicamente um povo.


Belo Horizonte, 07 de dezembro de 2015

Edézio Teixeira de Carvalho


10 de janeiro de 2017

Geocentelha 398: A lógica do risco

A lógica do risco
GC 398 A lógica do risco

   A geologia cuida de situações de risco territorial local ou planetário. Embora as sociedades humanas lhe deem pouca ênfase, o risco geológico é modalidade em que a lógica se manifesta com maior clareza, à altura da compreensão de não versados nesta ciência. A queda, aqui, de meteoro, podendo acabar com todos os mamíferos do planeta, é modalidade, por suas consequências territoriais, de risco geológico de origem cósmica, como a  que teria acabado com os dinossauros.
   O risco associado a eventos cósmicos foi dado até recentemente como de caráter fortuito em relação ao qual nada a fazer. Atualmente comenta-se a possibilidade de detecção de bólido que venha em direção à Terra com tempo suficiente para seu desvio ou destruição antes que nos alcance. Há eventos inevitáveis, fortuitos para uns, previsíveis para outros. Para escandinavos atingidos em praia tailandesa, o tsunami de 2004 foi ocorrência fortuita; para banhistas tailandeses também, mas essa ocorrência para tailandeses atingidos em suas moradias, a ocorrência, além de previsível, deve ser considerada evitável quanto aos efeitos diretos. Evitável como(?), poder-se-ia perguntar. Evitável porque suas moradias não deveriam estar ao alcance das grandes ondas. Claro está que habitar a orla baixa, como fazem habitantes do Índico e Pacífico é apostar na baixa probabilidade de ser atingido mesmo em face da alta probabilidade de que tsunamis ocorrerão por lá. Pelo menos que não identifiquem urbanizar com habitar!

   Reproduzo acima de autor desconhecido foto de desastre recente da serra fluminense, em que perderam a vida mais de mil pessoas. Hoje lamentamos o que é dado como o maior desastre ambiental brasileiro em Mariana. A meu ver desastre maior é outro; é, por exemplo, insistir-se em tratar por nascente a água que busca um modo de entrar no sistema geológico sem que tal seja possível por claríssimas evidências geológicas. Afinal isto significa que assistiremos a casos como os de Mariana, Aberfan (Inglaterra), Trento (Itália), Armero (Colômbia)  e Sendai (Japão), sem que nada realmente mude, porque o analfabetismo geológico mundial não sabe olhar para uma ladeira e ler que pode haver perigo iminente à frente.
   Fica parecendo que só devemos lamentar os mortos da mineração, porque estes serão atingidos em episódios mais raros, e nas mãos de responsáveis mais evidentes. A árvore que nas cidades frequentemente cai e mata, no campo cai e mal assusta o boi. Entretanto a queda de árvore urbana ocorre perto de muitos humanos e é comparativamente o mesmo que o tsunami que acertou Sendai, e fico pensando: afinal, depois de muitas ocorrências em países tão teimosos como o nosso, árvores urbanas doentes já terão provocado milhares de fatalidades considerando o mundo inteiro.
  Tivemos este ano mais de trinta mortos em Salvador e Recife; centenas ou milhares no resto do mundo. No próximo ano quantos e onde choraremos?

Belo Horizonte, 16/12/2015
Edézio Teixeira de Carvalho

Eng.o Geólogo

Geocentelha 397 Rio Doce: Amargo trânsito

Rio Doce: Amargo trânsito1
GC 397 Rio Doce: Amargo trânsito

   Qual rescaldo de gigantesco incêndio, com labaredas saltitantes. Tive em criança contato com formadores do rio Doce: O Carmo, longamente vitimado pelo tratamento de bauxita em Ouro Preto, cantado por nós na arte de Mozart Bicalho, poeta de Furquim. Para mim notório por eventos como o passar da criança ferida que rolara escada abaixo na inauguração da Usina Nova, tão importante que a banda local dera lugar à de Mariana; a criança sobreviveu. O rio tem vivido episódios tristes: Só recentemente vi águas claras, livres da lama de bauxita, embora permanecendo a lama das urbanizações recentes de Ouro Preto e Mariana, responsáveis pelo assoreamento imediato do reservatório da nova PCH, a demonstrar que desastres territoriais brasileiros são diários: Os de tempo chuvoso, ativados pela urbanização e outras atividades territoriais, como os torneirões abertos das voçorocas, levando água e solo, com pulsos periódicos de deslizamentos. O grande evento chega como o de Bento Rodrigues, excepcional, imensamente destrutivo, a abrir-nos os olhos para os que, sem serem grandes assim, chegam a matar até mais, como na Mantiqueira e serra do Mar, em Niterói e como pode ser ainda em pontos vários como na amada Ouro Preto, em Salvador, Recife e outros. O outro ramo conhecido meu da infância é o Gualaxo do Sul, menos exposto ao risco minerário, mas nos anos 50 pontilhado de faiscadores e pescadores com bombas e tarrafas, hoje menos piscoso, que naquele tempo transportava árvores caídas de barrancas e lama, o mais importante fator da sustentabilidade, geologicamente não renovável, do solo arrancado por cascos e arados. Atraía-me ele nas enchentes a ponto de o irmão Antônio ter composto a música “O menino e o rio” que achei bonita e lembra-me que o solo exuberante da bacia, campeão do feijão e milho, escorria entre nossos dedos com inexorável regularidade. As vazões de base ficam menores e as de pico crescem com a perda de solo que pudesse manter a capacidade de armazenamento e infiltração de vazão a longo prazo.                Retomando o grande acidente: O passado, que, de acidentes menores chegou a este, reclama investigação técnica profunda, não só sobre o desempenho das empresas direta e indiretamente envolvidas.
   Além dos processos judiciais inevitáveis deve ser estudada a reabilitação desde a mina até Regência. Grande parte da lama poderá imobilizar-se em Candonga e um pouco nos reservatórios menores.
   Os rios podem ser outros no segundo encontro (já não disse o grego?). É possível fazêlos até melhores. Tenho fé de que podemos, como já demonstrou o grande fotógrafo. Espero que descubramos que os mesmos recursos aplicados para salvar o Doce de seu amargo trânsito sejam também aplicados ao São Francisco que espera também há tanto tempo. Para fazê-lo, entretanto, é preciso compreender a água como componente itinerante do sistema geológico. Do contrário, nada feito.

Edézio Teixeira de Carvalho
Eng.o Geólogo


1 ECO.21 Ano XXV No 228 novembro 2015

9 de janeiro de 2017

Geocentelha 396 Desastre Territorial

Desastre territorial
Geocentelha 396

À guisa de prólogo gostaria de dizer que tem o geólogo provavelmente um dos currículos mais adequados à análise territorial porque ele reúne qualificativos do geógrafo e do engenheiro civil, além dos de outras áreas do conhecimento. Em relação às ciências materiais básicas, física, química e biologia, a geologia é uma espécie de superestrutura, apoiada com mais ênfase na primeira, e decrescente esse apoiamento no sentido da biologia, esta eu diria menos desenvolvida que o ideal, sua carga nos cursos de geologia, no meu tempo, quase exclusivamente limitada às necessidades práticas do ensino das rochas sedimentares. Nossa visão territorial em escala mundial beneficiou-se muito da geodinâmica global depois daquela idade média do ensino de geologia (anos 50 a 70?) enquanto não se firmava nos corpos docentes a convicção sobre a deriva continental quanto a seus mecanismos essenciais.
Como aluno na Escola de Minas, vivi esse período de indecisão e como professor, da área aplicada à engenharia, já na UFMG, confesso ter admirado e nutrido uma certa inveja dos melhores alunos daquele tempo já bem versados na tectônica global, que discutiam com desenvoltura. É por essa altura que se consolida uma percepção de unidade geográfica dos acidentes geodinâmicos maiores, como o círculo de fogo do Pacífico e a distribuição das grandes placas. Acho que poderíamos os geólogos estar obtendo êxito maior em disseminar no seio da sociedade a percepção da interatividade entre fenômenos territoriais, inclusive da geodinâmica externa.
Passando a essa realidade exposta ao nosso olhar comum, resolvo levar-lhes um tema tangível que podemos levar a essa sociedade desatenta, e daí multiplicá-lo aos milhares para alcançar o país e o mundo.     
Estamos na vertente esquerda do rio das Velhas, municípios de Ouro Preto e Itabirito, bacias dos rios Maracujá e Itabirito, que se junta ao Mata Porcos. O Maracujá é o principal emissário das descargas erosivas das voçorocas de Cachoeira do Campo, com destino imediato na represa de Rio de Pedras; o Itabirito, emissário das voçorocas do Bação e de Santo Antônio do Leite, vai encontrar o Velhas entre Rio de Pedras e Rio Acima. O desastre é visível nessas duas cabeceiras sob a dupla forma das imensas cavidades de erosão e dos leitos assoreados, isto se não quisermos incluir nesse desastre primordial a água frequentemente barrenta dos cursos d’água locais.
Há ainda desastres menores, pontuais, associados a esse desastre espacial do médio-alto curso do Velhas, um deles o fato de o assoreamento da represa de Rio de Pedras corresponder a drástica redução da capacidade de controle de cheias a jusante, implicando participações distais nos riscos de inundações nas faixas marginais de Rio Acima e Raposos e, certamente, menos intensos em Sabará e Santa Luzia. Não estou incluindo um possível fluxo abrasivo afetando o sistema gerador da usina porque não tenho conhecimento técnico preciso da situação atual.
E no médio curso do São Francisco, a jusante da foz do Velhas? Vimos, recentemente, o segundo desastre ambiental, no auge da seca do verão passado, as vísceras vermelhas do pobre rio forradas de pegajosos depósitos areno-siltosos do assoreamento proveniente dos altos cursos do Velhas e dos outros, movidos pela energia originada das nascentes sagradinhas, embora já, e finalmente, admitido na lei 12651/12, Art 3o, inciso XVII o que segue:  “Nascente: afloramento natural do lençol freático que apresenta perenidade e dá início a um curso d’água”. A exigência de perenidade pode ser o primeiro passo para excluir as exsudações de voçorocas, pelo menos as jovens, por não serem afloramentos naturais nem perenes. Assim estaria aberto o caminho para a extinção do primeiro desastre ambiental, o da erosão. Mas essa correção não seria suficiente para acabar com o desastre ambiental do assoreamento já no São Francisco, que dificulta a navegação, a reposição da ictiofauna, e outras dificuldades do rio.

Contando as nascentes precoces e erosão das voçorocas, um desastre ambiental, mais o assoreamento do São Francisco, outro desastre ambiental, temos um muito pior: No conjunto eles formam um desastre territorial, cuja remediação, que governos não parecem achar necessária, ou possível, é considerar que o assoreamento linear ao longo do rio é jazida muito bem posicionada para o consumidor marginal, em centenas de quilômetros de cada lado, assim como o de reservatórios semelhantes ao do Velhas em Rio de Pedras, ou ao do Carmo em Furquim, facilmente lavráveis por sifonamento, evitando a implantação de outras lavras em jazidas novas, além das próprias voçorocas prontas para receberem resíduos inertes, não perigosos.
Conclusão: O desastre territorial, geologicamente visível, é mental, da noosfera, é não querer corrigir, coisa de país fadado à desertificação do trópico úmido, portanto ainda que não carente de chuvas.
Belo Horizonte, 22/07/2015
Edézio Teixeira de Carvalho
Eng.o Geólogo
 (Agraciado com a Comenda Ambiental da Estância Hidromineral de São Lourenço em 2015)

GC 395 O Geólogo e a Serra

O Geólogo e a Serra
Geocentelha 395

     Moro em Belo Horizonte desde 1976 e confesso não ter estado muitas vezes na crista da serra do Curral mesmo sendo geólogo. Dia desses estive lá rapidamente e acrescentei às poucas imagens anteriores uma vista prodigiosa. Do ponto de vista da amplitude não direi que o cenário se compare ao do Cristo Redentor do Rio. Entretanto este, se é enriquecido pelo infinito mar, a baixada e a serra dos Órgãos, tem também favelas que lembram as trágicas exclusões, embora às quais a criatividade dos cariocas acrescentou românticas vistas da baía e da serra, bem exploradas por grandes cozinheiras na recepção de turistas europeus de ocasião.
   Tomo esta deixa para lembrar que do ponto de vista geológico há visibilidades a sugerir aos leitores, da serra do Curral, em certos aspectos até maiores que as do Rio. Trata-se do seguinte: do ponto de vista geológico a Serra do Curral é uma das mais extraordinárias exposições geológicas do Brasil não só porque é  muito rica, mas porque, diferentemente do Rio, é geologicamente mais diferenciada, e porque às feições naturais a mineração e a urbanização acrescentaram feições artificiais sob a  forma de paredões rochosos nas cavas de pedreiras e de minas e nos cortes das ruas, principalmente na Senhora do Carmo/356, embora nesta com um concreto projetado dispensável,  e Raja Gabaglia. Tais paredões, no caso da face norte, compreendem as escarpas de dolomito de mina a céu aberto que acrescentam às magníficas pedras rubras da escarpa a sul da praça do Papa (afloramento natural da formação ferrífera Cauê) o dolomito homogeneamente claro da formação Gandarela.

Escarpa das Pedras Rubras vista da praça do Papa
Escarpa final; depressão entre cristas; serra e subserra; centro da cidade.
A serra com elevador panorâmico proporcionaria visão deslumbrante de Belo Horizonte

    Continuando as exposições artificiais agora da cidade, descendo a Raja Gabaglia podemos ver o que o poema sugere; “Passe no talude rude de onde o bloco cadente do impuro quartzito sobre o filito luzente, rola na ribanceira ameaçando o vivente, e entra na procissão de costumeira torrente que desce à contramão desafiando o tenente; triste fim da formação neste momento presente, ela que foi esmagada, comprimida, estilhaçada por força mais competente, e merecia afinal descanso mais natural que a todo ser se consente, à sombra do bambuzal, à margem do rio corrente lavada pelo caudal de pureza reluzente”.
   Mais abaixo se vê o talude mais comportado e resistente do grupo Sabará e já chegando ao Arrudas na depressão periférica que reverencia a formidável cadeia, blocos e placas de itabirito e quartzito, escondidos, com seixos rolados de gnaisses visíveis na Câmara Municipal.
   A engenharia mineral, mãe de todas as demais, não se fez esperar e seguindo os geólogos naturais ou preparados, repetindo o que já fez no mundo todo, tirando a humanidade das cavernas, elevou a terra do queijo a nível mais promissor que o até hoje alcançado pelas Minas e pelos Gerais. A serra com suas exposições naturais e artificiais, é, para quem tenha olhos de ver, uma das paisagens geologicamente mais instrutivas do Brasil, entretanto com perigos e feiuras que devem ser controlados ou pelo menos mitigados (aproveito a ocasião, para estimular o otimismo dos leitores que conheçam bem a área, para perguntar-lhes se se lembram do verdadeiro canyon erosivo que acaba de desaparecer à esquerda de quem sobe a 356, logo após o viaduto do ramal ferroviário de Águas Claras.
    Para proporcionar ao belo-horizontino apaixonado uma visão de deleite e instrutiva, eu já teria dado à serra um acesso de subida por elevador nas pedras rubras e uma descida panorâmica por teleférico a um dos montes da sub serra do Cercadinho, que, para quem vem de sudoeste para nordeste ou que esteja a cavaleiro numa imagem zenital os magníficos portais formados entre a serra, a subserra, tendo a depressão do Gandarela de permeio.

Belo Horizonte, julho de 2015
Edézio Teixeira de Carvalho


GC 394 A equação da Água

A equação da água[1]
GC394 A equação da água
Vamos à equação da água no ambiente mais inóspito que a coitadinha enfrenta ─ uma cidade. Quando se ergue a cidade, materiais de construção são trazidos de fora, como areia, cal, cimento, rochas, metais. Estes últimos chegam em conformação física definitiva com ligações indestrutíveis entre seus átomos. Os outros chegam soltos, pulverizados, e na manipulação a que são submetidos, passam a participar de materiais complexos, duros, impermeáveis; alguns já chegam agregados como tijolos, telhas, blocos rochosos, impermeáveis.
Na construção da cidade muitos materiais são retirados do sítio, predominando entre estes os solos e a massa vegetal, e rochas mais ou menos duras, fechadas. Portanto, os materiais que entram no cenário urbano em construção, em sua maioria, chegam para tornar-se impermeáveis, enquanto os que saem eram na maioria permeáveis, cada um à sua maneira, levando consigo uma capacidade de armazenamento de água no espaço poroso.
Alguma cidade fez a conta da capacidade de armazenamento perdida na urbanização? Não conheço caso. Eu faço a seguinte: Dos materiais geológicos de construção que entraram na cidade a porosidade que acolheria a água é nula ou será anulada em obras. Portanto o ambiente urbanizado não ganhou capacidade de armazenamento com essa importação. Por outro lado, é fácil fazer a conta da capacidade de armazenamento perdida com a saída de materiais terrosos, cujo balanço é altamente negativo.
Exemplos: Se a implantação do sistema viário de uma urbanização determina o transporte para fora do ambiente urbano de 1 milhão de metros cúbicos de terra e se o desaterro feito para a construção das casas determina o transporte para fora de quantidade igual, terão sido exportados no total 2 milhões de metros cúbicos de terra. Considerando um valor comum de porosidade de 15% dessa terra exportada, o ambiente urbano terá perdido só aí 300 mil metros cúbicos de capacidade de armazenamento.
É muito e é quantidade que só cresce. As contas sobre a água que sustentam a legislação são sempre mal feitas e a lógica até invertida. Há solução aplicando a lógica geológica: Ao planejar as cidades, reservemos espaços adequados para a acomodação intra muros dos materiais permoporosos que serão escavados e esses espaços nada têm a ver com o código florestal, inoportuno invasor das cidades.
As contas não acabaram; agora, sem números, vamos com a Divina Comédia de Dante: "No verão a saúde traz perigo; em vasto plaino o álveo dilatando, forma paul, das infecções amigo”.
Pulemos da dantesca Europa medieval com seu paul, como o das lagoas Pontinas, amigas do mosquito do Nilo, para a Pindorama paulistana com o paul transmutado em brejo, para fecharmos as contas.
Que país é este em que a lei se opõe ao conhecimento determinando crime ambiental de estado, como o de jogar água fora a pretexto de defender falsas nascentes e brejos urbanos amigos do aedes e da dengue?



Belo Horizonte, 18 de maio de 2015
                                                                    
Edézio Teixeira de Carvalho
Eng.o Geólogo








[1] O Tempo; O.PINIÃO; 07/07/2015; p. 21
Sempre amigas?1
 GC393 Nascente e água

   Em termos. Do ponto de vista geológico a nascente é ponto singular no solo, o único ponto comum a duas superfícies curvas, a topográfica e a do lençol freático. Em comparação simples o lençol freático é como a superfície da água numa panela de arroz em repouso com água insuficiente para alcançar a superfície deste. Se inclinamos a panela lentamente, a água escoa para fora, um filete, imitando uma nascente. Em verdade a nascente entrega a água para um percurso subaéreo mais ou menos longo de retorno ao mar. Não é a única forma de retorno, porque em terreno de relevo ondulado, e desmatado, durante as chuvas pesadas, grande parte da água toma esse retorno diretamente pela superfície, reduzindo a infiltração, promovendo erosão e inundações, e deixando de repor o estoque das águas continentais no aquífero superficial e nos mais profundos. Com o uso inadequado do solo, nascentes antrópicas surgem em consequência de erosão linear ao longo de um ou mais sulcos, que vão sendo ampliados em largura e profundidade até alcançar o lençol freático; as vazões ampliam-se, antecipando a descarga do aquífero, na prática o retorno precoce da água ao mar. Que amizade é essa entre nascente e água? Que diferença há entre o desastre ambiental da perda precoce de água e a perda de solo? A diferença é que a água é renovável, enquanto o solo é recurso não renovável e exatamente o controlador da água, de modo que, no ano que vem há menos solo para controlar e mais água para escapar.
A paisagem que vimos do São Francisco há pouco é destino transitório do solo perdido, levado pela água, em si um desastre seguindo o outro, o desfecho inevitável das voçorocas do alto rio das Velhas. Sobre esses desastres colocamos mais um, o pior de todos, a indisposição de promover a reabilitação territorial da qual uma das intervenções essenciais é colocar resíduos inertes, um dos problemas maiores da gestão territorial, no lugar certo, de voçorocas e depressões semelhantes, outro problema maior da gestão, para chegar à solução que os elimina simultaneamente. E agora, no dia da água, que podemos fazer senão refletir sobre as imensas possibilidades de juntar à preservação, que não reabilita, a reabilitação que preserva? Para quem está em Belo Horizonte ou Contagem há alguns pontos reconhecíveis como aquele cantinho do prédio novo do ICB/UFMG, aquele trecho da Sebastião Menezes, da rua Beira Linha, da Flor do Campo no Alvorada, do bairro Piraquara e da vila São Mateus em Contagem de onde voçorocas desapareceram, deixando nascentes e não filetes de águas estagnadas que ostentavam. Pequenos triunfos são pouco para quem observa há 30 anos e age há pouco menos. Devemos resolver de vez se está de fato tudo certo. Por exemplo, no alto rio das Velhas, nas terras geológicas do Complexo de Bação em Ouro Preto e Itabirito, as voçorocas cedem diante das propostas simples de preservação ou exigem mais? 

Belo Horizonte, 07/03/2015
Edézio Teixeira de Carvalho 
Engenheiro Geólogo. 
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1 O Tempo; O.PINIÃO; 4 DE ABRIL DE 2015; p. 15

6 de fevereiro de 2015

O componente transitório

GC392 O componente transitório

Para simplificar o que segue, tomo a árvore como representante do transitório e a água como o do itinerante. Árvores do jardim botânico são substituídas ou não conforme um plano de manejo, suponho; as do parque urbano, livremente visitado, parecem merecer cuidados maiores com a segurança dos visitantes; quanto às perfiladas ao longo das vias públicas, por sua grande interferência com a vida urbana, devem ser objeto de critérios especiais de escolha, de limitação da idade com que devem ser substituídas. Como a decisão de manter árvores nas cidades até sua morte natural é recente, penso que as mortes por quedas de árvores no Brasil aumentarão no futuro, de pessoas acompanhando as árvores, além delas.

A propósito, se desejamos uniformidade de conformação e de qualidade dos passeios, não parece haver dúvida de que a responsabilidade por eles deve ser do poder público (um responsável, garantindo pelo menos uniformidade, com muitos fiscais) e não o oposto como é em muitas cidades (muitos responsáveis e um só fiscal, nem sempre atento).

Então já temos árvores e passeios a cuidar; voltando ao início lá acima temos também o itinerante, a água, a cuidar, e precisamos de árvores para ajudar a fazê-lo conduzindo-a para uma infiltração eficaz; portanto o leitor não se assuste, que não estou dispensando as árvores, mas propondo repô-las na idade certa, que é a proposta. Custará caro? Evidentemente não! Será lucrativo para a cidade que se dispuser a fazê-lo, pois além do lenho que deve valer alguma coisa, serão economizadas algumas vidas humanas, a paciência de muitos e horas de cidades paradas removendo troncos e refazendo linhas elétricas e telefônicas. O artigo ficou parado neste ponto desde o início de dezembro passado. Parece-me hoje que eu adivinhava que o verão pouco chuvoso seria pródigo em derrubadas de árvores, acrescentando uma lição a mais que a natureza nos oferece.


 
Belo Horizonte, 26/01/2015

Edézio Teixeira de Carvalho
Engenheiro Geólogo.